Família com ordem de despejo em Valbom, Gondomar, lamenta não obter retorno da Câmara de Gondomar e da União de Freguesias
Caso de Paulo Raimundo em Valbom, Gondomar
Paulo Raimundo, a esposa e o filho, de 13 anos, correm o risco de ficar sem moradia e ir para a rua. Há três anos, vivem em um antigo restaurante na Travessa do Calvário da Giesta, em Valbom, Gondomar - uma alternativa que deveria ser provisória, mas acabou se prolongando. Agora, a família enfrenta uma ordem de despejo por aluguéis em atraso e afirma não receber resposta nem da Câmara de Gondomar nem da União de Freguesias de S. Cosme, Valbom e Jovim.
"Vou ficar com todas as coisas na rua", lamenta Paulo Raimundo, que sofreu um acidente de trabalho e está "pelo seguro". A mulher "tem fibromialgia e não pode trabalhar devido às dores", e, por enquanto, o filho está de férias, já que o período escolar terminou, como acontece com outros adolescentes da mesma idade.
Renda, acidente e condições do imóvel
"Sem vislumbrar uma solução", apesar de procurar ajuda de forma contínua junto de diferentes entidades, Paulo Raimundo diz não saber como agir. Ele pagava cerca de 400 euros mensais pelo espaço, um antigo restaurante, onde "a família toma banho na cozinha, porque o WC só tem sanita e lavatório". No entanto, o acidente de trabalho na área de jardinagem - de onde vinha o sustento - interrompeu a renda, e ele deixou de conseguir cumprir com o proprietário.
Sem garantias
Paulo Raimundo relembra que, no início, o Município ainda ajudou a pagar as duas primeiras mensalidades, mas destaca que, a partir daí, esse apoio terminou.
Com os valores do arrendamento em atraso, o processo seguiu para o tribunal, que deu razão ao proprietário. No dia 8, Paulo Raimundo, a mulher e o filho já estiveram perto de ter de deixar o imóvel, mas o prazo foi estendido. Assim, existe a possibilidade de permanecerem na habitação até o fim desta semana, embora "nem isso está garantido", alerta.
Ele conta com a ajuda de um amigo advogado para manter diálogo com o senhorio. Ainda assim, a falta de uma alternativa caso tenha de sair do espaço que virou casa nos últimos três anos é um cenário que, segundo ele, vem levando a família ao desespero.
Pedido de ajuda
"Parece que ninguém quer saber. Ligaram-me da Câmara de Gondomar, há cerca de duas semanas, perguntaram como estava a nossa situação, expus a realidade e até agora nada aconteceu. Também falei com a Junta de Freguesia, mas também não obtive resposta. Continuo à espera", diz, desalentado, esperando que, ao tornar pública a aflição, alguém - ou alguma entidade - intervenha para ajudar.
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